top of page

Ora direi, o vírus estrelas

  • Foto do escritor: Maxx Figueiredo
    Maxx Figueiredo
  • 4 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

O vÍrus tem rodízio, pega quem sai de carro com placa errada, mas não pega quem sai de ônibus, todo dia.

O vírus tem preferência por pessoas que não tem trabalhos essenciais à sociedade.

O vírus não pega em em quem vai ao banco, lotérica, correio, mercado, bailes Funks, passeatas, dar coletiva de imprensa, quem está na coletiva de imprensa, em caixas de supermercados, políticos, vendedores ambulantes e idosos nas filas da Caixa, Mas pega se você for trabalhar. O vírus não pega o policial, que sem máscara, te bate por não estar de máscara. O vírus não pega em quem usa um pedaço de papel na cara ou um acetato da testa ao queixo. O vírus se propaga rápido e mata pouco, sendo assim, possível concluir sua baixa letalidade. Se matasse rápido não teria tempo de se propagar. O vírus pode colapsar o sistema de saúde do Brasil. Há. Como se o sistema nunca estivesse em colapso. Como se jamais tivéssemos visto leitos nos corredores dos hospitais. Como se jamais tivéssemos parido crianças com microcefalia por causa do vírus Zika. Como se o sistema tivesse maravilhoso e só agora, por causa do Corona Vírus, ele vai colapsar. O Vírus não se propaga no Carnaval. O Vírus não aceita dinheiro do fundo partidário. O Vírus precisa de equipamentos que sejam comprados muito acima do que realmente valem. O Vírus veio da China, ou do espaço? Do morcego ou do laboratório. Enquanto nos perguntamos engajados em alimentarmos nossos egos numa resposta que confirme nossas teorias, milhões de outros homens, que possivelmente já a saibam, gastam tufos todo dia. O vírus não é o fim. O vírus é o meio. Meio pelo qual se elege. Meio pelo qual desfazemos amizades. Meio pelo qual superfaturamos aparelhos que sequer são usados. Meio de justificar negligenciamento médico e incapacidade de ser profissional. Meio pra justificar meu ócio. Meio pra justificar meu ódio. Meio pra justificar meu fracasso econômico. Meio pra sobrepor e privar direitos do cidadão. Meio de calar pelo medo, aquele que se nega a assistir a estagnação de uma nação. O vírus não mata. Ele tira sua capacidade de usar aquilo que é de graça. O ar. E para tê-lo, terás que pagar. O vírus é o meio para se cobrar quem tem direito ao ar. E o Estado faz essa triagem, quando elege quem pode e quem não pode. Numa necropolítica dizima a cidade, procrastina o auxílio que era pra ser emergencial e coloca barreiras tecnológicas para assistir a morte se espalhar. O desespero tomar conta. Para assim, culparmos uns aos outros enquanto riem de nós. Dividir para conquistar. O Vírus não é novidade, ele sempre esteve em nós, apenas mudou de nome, e seguiremos usando esse ou outros vírus que virão, como justificativa para violência, ganância e medo. Nesse lindo planeta cheio de estrelas, o vírus, somos nós.


 
 
 

Comentários


CONTATO

Av. Deputado Emílio Carlos 3371

São Paulo, SP - 3371

​​

Tel: (11) 33750044

Fax: (11) 974177102

maxx.estudio@gmail.com

  • Black Facebook Icon
  • Black Twitter Icon
  • Black Instagram Icon
  • Black YouTube Icon
  • Black Google+ Icon
bottom of page