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A verdade como objeto de desejo

  • Foto do escritor: Maxx Figueiredo
    Maxx Figueiredo
  • 4 de jun. de 2020
  • 6 min de leitura

A pessoa morta recebe mais compaixão do que viva. Triste isso. 35 mil sobreviventes são ignorados pela mídia, 5 mil são manchetes. Daí você pergunta: -E se fosse um parente meu? Te respondo; seria um parente meu morto. Iria chorar e ficar bem triste, mas com o tempo focar em minha vida e administrar os problemas de quem ficam em vida.

Daí te devolvo a pergunta: -E se fosse um parente seu que tivesse sobrevivido? Certamente estaria falando: Viu? Quem mandou "passar o pano" se fudeu, bem feito, é bom que só assim você aprende. Bem feito pra você, cabeça dura. Gripezinha né? E agora? Quem tava com a razão?

Engraçado essa postura né? Não há louros, aplausos, carinho, compaixão. A mesma compaixão que exige hoje para com os mortos.

O sucesso ofende, o fracasso seduz. Ver que alguém se deu mal te faz bem, Assistir uma morte te faz ficar mais grato pela vida. Te faz se sentir privilegiado. Me dei bem, não morri! Sou mais inteligente, sou melhor, sou mais saudável, sou mais responsável, sou superior, sou mais! Estou no topo da seleção natural e artificial da humanidade.

Em outro lugar, um ser mergulhando na pueril necessidade de segurança emocional, busca lógicas criando conexões absurdas, justificando 5 mil casos com a simplicidade que beira o jocoso. Todos morreram por culpa de uma única pessoa, o genocida, tosco, energúmeno, excelentíssimo presidente do Brasil. Outros avançam. Morreram por serem Bolsonaristas, morreram por serem negacionistas, corinthianos, palmeirenses, pobres, ou qualquer outra causa que te faça externar seu fetiche, seu deleite em odiar. 5 mil pessoas morreram da mesma causa. 5 mil.

Lamentar a morte é algo pessoal, requer conexão, relação laços, historia, vivência prévia para que esse sentimento exista. Pessoas morrem todos os dias de inúmeras causas. Devo me sentir responsável por essas mortes? Devo culpar o presidente? O médico? A própria pessoa que decidiu ignorar as recomendações? O médico que atendia no hospital? O esquerdista que de dentro do seu lar, contraiu COVID-19 do entregador de Ifood? O entregador de I-food? O inferno sempre será os outros. Mas não. Justificar 5mil mortes dá trabalho. Melhor condensar todas as mortes como consequências de uma só pessoa. Aquela que eu amo odiar.

Quanto mais odeio algo, mais revelo quem sou. Mais exponho minhas fraquezas. Odiar gays, demonstra sua insegurança frente a sua sexualidade, odiar algo em diferentes escalas, revela sua insegurança em inúmeras camadas. E há o pior ódio, o daqueles que odeiam por osmose, odiar porque todos estão odiando, simplesmente pra ser politicamente correto. Ser aquele que odeia pra não ser diferente, odeia pra não se expor, pra não perder seus privilégios na sociedade, favores, amigos, posições políticas, pra ter sucesso, pra viralizar, pra ter likes, e até mesmo emprego. Odeia para pertencer. Este ser, odeia para estar inserido no padrão de recalque inútil e efêmero. Que vai de um post na rede social ou uma cizânia num bar ou encontro em família. No fundo a discussão política, apenas se torna pretexto para se desopilar outros ódios muito mais profundos e pessoais.

Altas taxas de contágio significam baixa letalidade. Se o número de contagiados é muito maior do que o divulgado e as mortes não acompanham essa estatística, significa que estão morrendo uma porcentagem bem pequena comparado ao número de contagiados.

Daí você fala, mas é que uma parte está todo mundo em casa. Daí falo, mas estou considerando os contagiados. É só uma questão de trocar o número de contagiados pelo número de habitantes da cidade e aplicar a fórmula de Báscara. O mesmo serve pra deslocar e gerir o atendimento, para os leitos cujos quase dois meses deveriam dar conta de serem construídos. Não quero ser é simplista, e nem é pra ser. Mas os números não mentem. Temos mais pessoas curadas que mortas. Arredondando os números, no Brasil, de 100mil casos, 40mil se curou, e 6mil morreu, sobram aqueles que a midia não expõe, que são os 54mil que não estão nas estatísticas. No mundo, de 3,3milhões de casos, 1 milhão se curou, 200 mil morreram e 1,8 milhão não estão nas estatísticas. Resumindo: Sem vacina, sem colapso, com as pessoas que estão na rua hoje, dos 100% que foram contaminados no Brasil, EUA e mundo 6% , 7% morreram. Italia chegou a 14% supondo que é um país de velhinhos, com 13 milhões de pessoas com mais 65 anos. Mas você pode pegar o número da população do país ou cidade, subtrair a taxa de isolamento que varia entre 46% e 53% e com o número que resta subtrair os contaminados. Destes, consultar os curados, mortos e os que ainda não tiveram alta ou foram declarados oficialmente mortos. Daí, veja a porcentagem e ficará mais tranquilo.

Mas antes de falar que o sistema vai colapsar e começar a agir sob pânico, te digo que o sistema vai ter a mesma porcentagem. Fiz minhas contas e cheguei a 0,5% de pessoas que pegaram o vírus. Mas, se dos 210 milhões de brasileiros 0,5% pegar, daria 10,5milhões, considerando que 7% vai morrer chegamos a 735mil mortes. E levando em conta o número de infectados considero ter que interná-los. Teríamos que colocar em cada uma das 5570 cidades no Brasil 1.885 leitos. Claro que tem cidade que vai precisar de mais e outras menos. São Paulo, por exemplo, com 44milhões de habitantes, 0,5% daria 2,2milhões de infectados, ou 22.916 leitos pra cada bairro(96 bairros). E considerando 10% de morte daria 220mil mortes.

Temos que ser realistas. Podemos ter 220 mil covas? Seria interessante cremar? Podemos ter 10,5 milhões de leitos no Brasil ou 2,2 milhões de leitos em SP? Não. Ok. Quantos se pode ter? 22 mil? Certo. Então estamos com condições de atender 0,1% da população de SP apenas. Mas para isso é preciso ficar com comércio fechado até os 0,1 ficarem prontos. Quanto tempo levará? 22 dias? tipo 1000 leitos por dia, 44 dias e 500 leitos por dia? Essa precisão que sinto falta. Existem profissionais que conseguem converter dados em realizações e dar preço pra elas. Mas só vejo discurso vazio.

1- A quarentena é para quem está infectado. 2-O isolamento é pra dar tempo de se fazer hospitais, os quais não nos é passado onde e quando serão entregues. Não tem padrão, custo. Nada. Tudo aleatório e superfaturado. 3-O distanciamento social é para continuarmos coexistindo em sociedade sem sacrificar a vida dos que estão saudáveis, pois é deles a função de manter o maior número de pessoas vivas. 4-Lockdown é o fechamento geral de tudo.

Mas tudo se mistura. Chamam isolamento de quarentena, criticam o distanciamento social, mas vemos pela TV a midia trabalhando em harmonia, e os mais burgueses ou apavorados desejam lockdown como salvação, enquanto o mundo almeja a cura e tem que sair de casa para buscá-la.

Muita gente morreu e muito mais ainda vai morrer. Mas muita gente pegou e se curou, ficando em casa, ou usando os hospitais, ou os hospitais provisórios. Mas não se pode ter o supertrunfo.

O mundo mágico de BOB, onde os hospitais são feitos sem superfaturamento, os egos políticos não são inflados, os laboratórios não vêem esse momento como uma grande possibilidade de investimento, a midia não lucrar com o caos e medo, (bad news, good news). Esse mundo "no ecziste!".

Não está tudo na mão de um presidente. Nunca esteve. Ou você acredita que quem move esse país é Brasilia? Quem realmente move esse país são os empresários, a economia, acionistas. Laboratórios são importantes pra manutenção da vida, mas laboratório sem dinheiro também pode falir e laboratório falido não tem como colocar a vida em primeiro lugar. O dinheiro não fica num colchão, ou no bolso de um BIG DADDY. O dinheiro gira e com ele a vida. A vida gira e com ela o dinheiro. Vida sem dinheiro é uma vida miserável e de submissão. Vida sem saúde não é vida, é morte. Jamais deveríamos ponderar essas questões como se uma anulasse a outra, pois pobreza é um problema e morte é uma anulação de todos problemas (ironia a parte) Ninguém quer morrer, mesmo sabendo que faz parte do processo da vida. Parafraseando Fernando Pessoa. O homem é um cadáver adiado.

Não se deixe ser tomado pelo medo. Vivemos um mundo de inverdades. Somos assim. O ser humano mente 7 vezes por dia, mentimos para manter aparências, mentimos sobre nossas vidas quando a expomos de forma editada nas redes sociais e absorvemos mentiras pra sermos aparentemente felizes. Veja a salsicha que você come, ignoramos como ela é feita, a roupa que vestimos, ignoramos os imigrantes que as fazem, ignoram o estímulo ao tráfico quando buscamos fugas de realidade em baladas regadas a música e luzes incandescentes e somos muito condescendentes com todos aqueles que são indecentes. Mentimos 24 horas em busca de verdades e quando a encontramos não queremos vê-las, pois a verdade dói. Mas seguimos repetindo esse padrão, pois a cada dia que passa, as verdades mudam, e a cada dia o desejo muda. E a verdade também virou um commodities, mais um objeto de desejo. Que se atualiza tão rápido quando os i-Phones da vida.

Dito isso. Menos ódio, mais foco na sua vida, mais compreensão das diferenças de necessidades e principalmente, menos desespero. Tudo vai passar. Pode ser que eu ou você morra no caminho. Mas tudo há de passar. Paz na mente.



 
 
 

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